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Quaresma: Tempo de Penitência e de Conversão

O Tempo quaresmal possui um rico sentido litúrgico-espiritual, pois durante quarenta dias a Igreja celebra e revive todo o sentido de sua caminhada rumo à Páscoa do Senhor.

Os quarenta dias de penitência e conversão em torno da busca de uma fé concisa são a dessa espiritualidade. O povo saindo do Egito, da escravidão, esperou quarenta anos para alcançar a Terra Prometida. Também Jesus, jejuou quarenta dias no deserto depois disso teve fome. O número quarenta na Sagrada Escritura nos dá a indicação de um tempo de preparação, de busca, de encontro consigo mesmo, de espera confiante…

Todos esses sinais devem nos acompanhar em nossa caminhada de cristãos, de seguidores de Jesus Cristo. Mas o grande e precioso sinal é a conversão. Conversão significa, do grego, metanóia (meta=mudança e nóia=cabeça), ou seja, mudança de mentalidade. Precisamos mudar nosso jeito de pensar, para posteriormente, mudar nosso agir. Àquele que pensa mudar seu agir sem antes mudar sua forma ou maneira de pensar pode cair nos sério risco de uma conversão sem sentido, algo que Jesus criticou severamente: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim” (Mt 15,8).

Por isso, em cada tempo litúrgico proposto pela Igreja, em cada ano, deve nos fazer refletir aquilo que está em nosso interior e nos move em direção ao Cristo. A fé é um mistério que deve ser vivenciada na busca de uma conversão pessoal constante, capaz de nos fazer crescer como pessoa, na busca sincera de um ideal comunitário.

Não dá para celebrar a fé ou buscar uma conversão sem um comprometimento com a realidade que vivemos; assim, pois, a Igreja no Brasil, todos anos, coloca um tema e um propósito de vivência social, que é a Campanha da Fraternidade. Neste ano de 2017, a CF tem como tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e como lema: “Cultivar e guardar a criação”. É um tema emergente em reflexão, anúncio e testemunho, pois vivemos hoje em uma sociedade marcada pela degradação constante da vida humana e também os recursos da terra estão sendo depredados por causa das formas imediatistas de entender a economia e a atividade comercial e produtiva.

Assumamos, portanto, nesta quaresma, com nossa oração, jejum e caridade, o firme propósito de uma séria conversão, algo que transforme profundamente nosso interior fazendo-nos anunciadores do Reino de Deus, um Reino de paz, amor e solidariedade, para que, possamos participar no “hoje de nosso mundo” da nova páscoa do Cristo Ressuscitado.

 

Pe. Reginaldo Marcolino

Cura da Catedral/ Ecônomo e Vigário Episcopal

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